Yitzhak Rabin

No dia 4 de novembro de 1995, na Praça dos Reis, Ytzchak Rabin estava determinado a selar a paz com a Palestina. Nesse dia, discursou sobre o caminho para a paz e, junto com todas as pessoas presentes, cantou a música Shir La Shalom (música para a paz) de Yaakov Rotblit.

Mas, quando voltava para o seu carro, foi atingido por balas de fogo. Igal Amir, um radical  de direita, não concordava com suas ideologias e, antes que Rabin pudesse selar o acordo que havia feito com Yasser Arafat, o atingiu com três tiros que deram um fim a sua história e a um grande passo para a paz.

Nesse dia, o processo para a paz com a Palestina morreu ali, naquela praça, que foi renomeada como a Praça Ytzchak Rabin.

 

Quem foi Ytzchak Rabin?

Yitzhak Rabin nasceu dia 1 de março de 1922 em Jerusalém.  Em 1941, entrou na Hagana, organização paramilitar judaica, e dentro dessa no corpo de elite, o Palmach, onde foi oficial de operações. Com o cessar fogo da Guerra de Independência, estava presente como membro da delegação israelense nos acordos de paz com o Egito.

Rabin virou um “mártir da paz”, mas dos 13 aos 66 anos dedicou-se a guerra. Lutou contra o Eixo na Segunda Guerra Mundial, contra os ingleses em 1946 e contra os árabes em 1948. Em 1964, tornou-se chefe do Estado Maior das Forças Armadas de Israel. Foi o grande herói nacional na Guerra dos Seis Dias, em 1967, na vitória militar contra o Egito, Síria e Jordânia, em que Israel anexou os territórios da Cisjordânia e Gaza.
De 1968 a 1973, foi embaixador em Washington. Quando voltou para Israel começou a carreira política no Partido Trabalhista. Virou primeiro ministro de Israel sucedendo Golda Meir, mas teve que renunciar em 1977 por ter uma conta bancária nos Estados Unidos.
Foi nomeado ministro da Defesa num governo de coalisão com o Likud. Durante a Intifada, mandou quebrar os ossos das mãos de palestinos que estivessem atirando pedras contra os soldados israelenses, o que lhe causou críticas internacionais.   
Junto com o Líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, Rabin ganhou um Prêmio Nobel da Paz, logo depois de assinar os acordos de paz de Oslo em 1994, o que fez vários israelenses finalmente acreditarem em Rabin e em que a paz com os palestinos estaria finalmente chegando.
Rabin sofreu ameaças por muito tempo, e sempre se recusou a usar colete a prova de balas, acreditava tanto na paz que se negou a ter medo da violência.
 

O que foi o acordo de Oslo?

Os acordos de Oslo foram uma série de acordos na cidade de Oslo, na Noruega, entre o governo de Israel e o Presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, mediados pelo presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton. Com esses, se comprometiam a unir esforços para a realização da paz entre os dois povos, prevendo o término dos conflitos, a abertura das negociações sobre os territórios ocupados, a retirada de Israel do sul do Líbano e a questão do status de Jerusalém.

Os principais pontos do acordo foram:

  • A retirada das forças armadas israelense da Faixa de Gaza e Cisjordânia, assim como o direito dos palestinos ao auto-governo nas zonas governadas pela Autoridade palestina.

  • O governo palestino duraria cinco anos, de maneira interina, durante os quais o status seria renegociado (a partir de maio de 1996).

  • Questões referentes a Jerusalém, refugiados, assentamentos israelenses nos territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias, segurança e fronteiras.

  • O autogoverno seria dividido em:

    • Área A - controle total pela Autoridade palestina.

    • Área B - controle civil pela Autoridade palestina e controle militar pelo Exército de Israel.

    • Área C - controle total pelo Governo de Israel.

  • Acordo de Paz

O acordo seria implementado em 4 fases. Em 1994, seria estabelecido o autogoverno na Faixa de Gaza e na área de Jericó. No mesmo ano, seria aplicada a segunda fase, que envolvia a transferência de poderes aos palestinos na Cisjordânia em cinco esferas – educação e cultura, saúde, bem-estar social, impostos e turismo. A terceira etapa estava prevista para 1995 e estabelecia a ampliação de áreas do autogoverno palestino na Cisjordânia e a eleição de uma autoridade autônoma para permitir aos palestinos a condução de seus assuntos internos. A última etapa previa o início das negociações sobre os arranjos para o status final, incluindo assuntos polêmicos como a questão dos refugiados palestinos de 1948, os núcleos judaicos na Cisjordânia, acesso às fontes de água e a divisão de Jerusalém.
Das quatro etapas, três foram cumpridas. No entanto, uma série de ataques de terroristas suicidas atrasou o início das negociações, juntamente com o assassinato de Rabin. Na eleição de 1996, Shimon Peres, mentor do processo de paz, foi derrotado por Binyamin Netanyahu, do Likud. Peres liderava as pesquisas de intenção de voto, mas um atentado no centro de Tel Aviv, às vésperas da eleição, fez a balança pender para Netanyahu.
As negociações enfrentaram dificuldades até 1999, quando, em novas eleições, o trabalhista Ehud Barak superou Netanyahu. Em outubro de 2000, com mediação de Bill Clinton, Barak tentou chegar a um acordo final com Yasser Arafat. Israel se mostrou disposto a fazer concessões históricas. Mas os dois, lados não chegaram a um acordo e a negociação naufragou. Pouco depois, explodiu a segunda Intifada, o que enterraria de vez os acordos de Oslo.

Yitzhak Rabin, Bill Clinton e Yasser Arafat

 

Quem foi Yigal Amir e quais os seus motivos?

Yigal Amir, assassino de Rabin, era um judeu de extrema direita que reivindicava um sionismo religioso nacionalista, muito impregnado de messianismo. Ele considerava a esquerda laica israelense e todo líder disposto a devolver as terras aos palestinos em troca da paz (a ideia de dar e receber encarnada por Rabin) como um obstáculo inaceitável para a concretização da profecia divina do “Grande Israel”, assim rejeitava os acordos de Oslo que serviram de base para a criação da Autoridade Palestina, primeiro passo para um Estado palestino.

Atualmente, Amir se encontra preso, sem previsão de ser libertado. Nesse sentido, o atual presidente de Israel declarou : “Enquanto eu for presidente do Estado de Israel, o assassino do primeiro-ministro não será libertado”. Após esta declaração, o irmão do assassino, Hagai Amir, foi colocado em prisão domiciliar depois de afirmar que chegou a hora de "fazer desaparecer da face da Terra" o presidente israelense, Reuven Rivlin.

Israel pós Rabin

Após a morte de Rabin,  pessoas que tinham certeza que a paz viria começaram a pensar que era impossível e que não deveríamos ceder nada para conquistá-la; pessoas que não acreditavam na paz entenderam que ela é necessária, e que a morte não faz sentido.

 Depois da morte de Yitzhak Rabin, Shimon Peres assumiu o governo israelense, no dia 5 de novembro de 1995, reafirmando o compromisso com a paz. Eleito em 1996, seu sucessor Benjamin Netanyahu fez a mesma promessa, mas congelou o processo de paz em março de 1997, quando aprovou a construção de novos assentamentos judaicos em Jerusalém Oriental. Ehud Barak foi eleito o líder trabalhista na eleição seguinte e à princípio comprometeu-se a continuar a política de Rabin, mas o terrorismo de extremistas judeus e muçulmanos seguiu dificultando o diálogo.

Hoje em dia, apenas lamentamos e imaginamos como teria sido, o que teria acontecido, onde estaríamos agora e se finalmente teríamos chegado na paz. Como é dito na música “Ma Haya Im” da banda Hadag Nahash, “Dim'a merachefet uvtocha shalosh milim: Ma haya im” (E uma lágrima paira e dela três palavras: Que seria se?)

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