Hannah Senesz

Hannah Senesz nasceu dia 17 de julho de 1921, em Budapeste, e faleceu dia 7 de novembro de 1944. Seu pai, Bela Senesz, escritor e jornalista, morreu quando ela e seu irmão eram jovens e então sua mãe, Katherine, teve que cria-los sozinha. Durante sua infância, Hannah não teve tanto contato com o judaísmo, por causa de seus pais. Ela era uma criança que, desde pequena, mostrava a sua força, sempre dizendo que queria “fazer uma diferença, no mundo”. Ela também demonstrava um amor pela literatura, que desde seus 13 anos começou a escrever poesias em seu diário, onde registrou seus pensamentos e os acontecimentos ao longo de sua vida. Hannah e seu irmão sempre tiveram uma ótima educação. Ao completar 10 anos, conseguiu ser aceita em uma escola particular protestante apenas para meninas judias e católicas. Porém o preço não era o mesmo, para uma católica, cobravam o dobro de uma mensalidade, já para uma judia, o triplo. Entretanto, foi aí que ela começou a conhecer e amar o judaísmo, também teve o contato com o anti-semitismo e com a descriminação aos judeus.

Aos 17 anos foi eleita a presidente da sociedade literária da escola, mas não assumiu, pois informaram que jamais uma judia poderia assumir a presidência de qualquer sociedade. Nisso, a jovem escreveu: “Você precisa ser alguém excepcional para lutar contra o anti-semitismo... Só hoje comecei a realmente entender o que significa ser judeu em uma sociedade cristã. Mas eu não me importo. É porque temos sempre que lutar muito por tudo que queremos; é porque é sempre mais difícil para nós, judeus, atingirmos nossos objetivos que acabamos desenvolvendo qualidades excepcionais... Se eu fosse cristã, todas as profissões estariam abertas para mim”. Porém se tornar cristã não era uma opção e então abandonou a sociedade literária. Depois de um tempo, se tornou membro de um grupo sionista, Macabim, que escreveu também: “Tornei-me sionista e esta palavra tem para mim inúmeros significados. Agora sinto de uma forma consciente e profunda que sou judia e muito orgulhosa de o ser. Minha meta é ir para Eretz Israel e tudo farei para consegui-lo”. Em março de 1939 se formou, sendo uma das melhores alunas da classe e seus professores tentaram fazê-la desistir de seu sonho. Mas a jovem já estava decidida, quando recebeu a resposta de sua admissão em uma escola agrícola em Nahala, embarcou  a Terra de Israel, o seu sonho. Era setembro de 1939 e a Alemanha já iniciara uma guerra contra a Europa e os judeus. Ao chegar lá, Hannah escreveu sua primeira carta para a mãe mostrando o quanto estava feliz por estar realizando seu sonho: “Estou em casa. Aqui é para onde me trouxe a minha ambição de vida – poderia dizer minha vocação, porque sinto que, por estar aqui, estou cumprindo uma missão, não apenas vegetando; aqui cada vida é o cumprimento de uma missão.”

Em 1941 Hannah foi ao Kibutz Sdot Yam, perto de Cesáreia, assim se alistando na Haganá. No ano seguinte, entrou para o Palmach, braço armado da Haganá. Enquanto estava no Kibutz, ela escreveu várias poesias e uma peça sobre a vida no kibutz, porém as terríveis notícias sobre a situação dos judeus na Europa a deixavam preocupada, ela sentia que devia fazer algo para ajudar os judeus europeus e também estava preocupada com sua mãe, que ainda estava em Budapeste. Hannah queria voltar para a Hungria para salvar a mãe e organizar a saída de judeus do país e da Europa. 

Em 1943, Hannah se alistou no exército britânico para participar da luta contra os nazistas, se voluntariando a uma operação de salvamento, que se originou pelas perdas sofridas por bombardeiros aliados durante os ataques. Os britânicos estavam convencidos de que havia necessidade de mais informações sobre as defesas alemãs, e então a liderança da Haganá fez uma proposta à Grã Bretanha: judeus com ligações nessas regiões poderiam ser lançados de pára-quedas, sobre a Europa, para exercer a dupla função de agentes secretos, ajudando os Aliados na Europa, e, ao mesmo tempo, tentar organizar alguma forma de resistência nas comunidades judaicas. Os britânicos aceitaram o plano e 32 judeus palestinos foram enviados para a missão, no qual Hannah estava entre os primeiros a se alistar. Os britânicos levaram os jovens para Cairo, onde foram treinados e todos que se voluntariaram eram nativos das regiões para onde seriam enviados e sabiam que a missão era muito perigosa e que poucos retornariam com vida. Hannah falava aos seus companheiros: “Somos os únicos a poder ajudar, não temos o direito de pensar em nossa própria segurança; não temos o direito de hesitar, de ter medo... é melhor morrer com a consciência do dever cumprido do que voltar sabendo nem haver tentado”.

No dia 7 de junho de 1944, no período da deportação de judeus húngaros pelos nazistas, Hannah cruzou a fronteira da Hungria. Atravessou, com dois companheiros e alguns guias, um território controlado pelas tropas alemãs. As ordens britânicas eram: primeiro resgatar os pára-quedistas britânicos que estavam com os nazistas e depois poderiam ajudar os judeus locais. Traída por um informante, Tito, Hannah foi capturada pela polícia húngara, no momento, estava de posse de um rádio transmissor. Assim que foi presa, foi levada para uma prisão em Budapeste. A interrogaram e a torturaram brutalmente durante vários meses. Queriam que ela revelasse detalhes de sua missão e o código britânico de rádio, porém ela não revelava nada. Na tentativa de fazê-la falar, a polícia prendeu sua mãe na qual ameaçaram a jovem de torturar sua mãe na sua frente e depois matá-la, mesmo assim, Hannah não cedeu e não revelou o código. Nos poucos encontros que teve com a mãe, apesar das torturas e espancamentos, pediu que a mãe entendesse o por que tinha que ficar calada, ela não podia trair seu povo, “Mãe, me perdoa” disse chorando, a mãe a olhava sem acreditar que sua filha estava presa, ferida e não estava a salvo por Eretz Israel. Katherine sabia que, mesmo com Hannah negando, sua filha voltaria para tentar salvá-la. Todos sabiam que Hannah transmitia a sua força para lutar para ter a fé. Ela cantava, ensinava músicas, danças, o hebraico, contava sobre Eretz Israel, a história de sua Terra, a esperança no futuro e a esperança do dia da vitória do povo de Israel. Um deles escreveu: “Sua atitude frente à Gestapo e às SS foi memorável. Ela sempre parava à sua frente, alertando-os sobre o destino que teriam após sua derrota. Curiosamente, aqueles animais selvagens, dos quais qualquer traço de humanidade parecia ter desaparecido, sentiam-se envergonhados na presença dessa jovem refinada e corajosa”. Convencidos de que a jovem não falaria e também os alemães estavam prestes a serem derrotados, a policia húngara libertou Katherine em Yom Kipur.

No dia 28 outubro de 1941, Hannah foi levada a um julgamento, acusada por “traição” contra a Hungria. O julgamento ocorreu por ser evidente desde setembro que a Alemanha estava perdendo a guerra, e que a Hungria queria se libertar dos nazistas. Durante isso, ela defendeu suas ações e seus ideais. Corajosa até o fim, foi executada por um pelotão de fuzilamento no dia 7 de novembro. Na hora da execução não quis colocar a venda sobre os olhos, queria encarar seu destino e seu medo. Os prisioneiros que executaram ficaram emocionados com tanta coragem. Suas últimas palavras para seus companheiros foram: “Continuem no caminho, não se deixem deter. Continuem a luta até o fim, até que a liberdade chegue, o dia da vitória para o nosso povo”. Poucos dias depois os russos tomaram Budapeste, prendendo e matando todos os nazistas e aqueles que os apoiaram. Katherine saiu de Budapeste e se juntou ao seu filho Giora em Israel.

Hannah se tornou um símbolo de heroísmo e dedicação. Sua coragem foi fonte de inspiração e estímulo para os judeus da Europa, mesmo que ela e seus companheiros não tiveram sucesso em suas missões. Sua imagem jovem e radiante, usando o uniforme militar, podia ser vista nas casas da cidade e no vilarejo de Eretz Israel. Em 1950, seus restos mortais foram levados a Israel e novamente enterrados, com honras militares, no cemitério militar localizado no Monte Herzl. Um vilarejo foi nomeado Yad Hannah em sua homenagem. Seu diário e seus trabalhos literários foram publicados em hebraico, em 1945, foram traduzidos para diversos idiomas, inclusive o húngaro. Ela também foi tema de vários trabalhos artísticos, entre eles uma peça do escritor israelense Aharon Megged e um filme. Vários poemas de autoria de Hannah, entre os quais “A caminho de Cesaréia” (Eli, Eli) e “Abençoado o fósforo” foram musicados.

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