Hebraikeinu na Polônia :: Masá LePolin 2017


Na última semana, nós da Kvutzá Shnat participamos da Masá LePolin (Jornada à Polônia) do Machon LeMadrichim. Viajando por muitos cantos do país, conhecemos o passado do nosso povo na Europa e o cenário do momento mais terrível de nossa história, a Shoá (holocausto judaico). Começamos falando sobre a vida judaica de 1300 a 1900, visitando as cidades de Bendzin e Cracóvia. Cada peculiaridade, contos da época e estruturas nos encantaram. Porém, por outro lado, a felicidade sempre vinha acompanhada de antissemitismo. Em 1939 havia 3,3 milhões de judeus só na Polônia, compondo 10% da população.

No início de 1900 surgiram as tnuot noar (movimentos juvenis judaicos sionistas). Todas tinham snifim (filiais) na Polônia, onde ativavam e idealizavam o sonho de um futuro Estado de Israel. O ponto de vista destas tnuot, da qual fazemos parte, nos acompanhou durante toda a Masá e nos fez refletir sobre nosso papel como movimento hoje. Um dos lugares mais marcantes que conhecemos, foi um Kibutz da tnuá Bnei Akiva em Slawkow. Sim, isso mesmo, um Kibutz na Polônia. Era assim que eles capacitavam seus chaverim (membros da tnuá) para que soubessem trabalhar a terra e conseguissem um visto para ir a Israel, construir o Estado. Os relatos dizem que lá, às quintas-feiras, ninguém dormia, pois passavam a noite estudando Torá em conjunto. E em todos os shabatot e nos chaguim (festas) judaicas e sionistas, havia festas alegres, com músicas e danças. Os ideais desses jovens que são nossos tatara-madrichim, nos motivaram a buscar nossas causas e lutar por elas.

Porém, em 1933 subiu na Alemanha o partido nazista. Com sua política antissemita racial, queriam, inicialmente, se livrar dos judeus da Europa realizando expulsões. No 3° mês de governo, são queimados livros judaicos e escritos por judeus em praça pública. Disse Heirich Heine, muito antes disso acontecer: “Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas”.

Em 1939, com o início da 2ª Guerra Mundial, eles invadem a Polônia e a conquistam. Então, a partir do dia 21 de setembro desse mesmo ano, começa a atuação por parte dos nazistas chamada de “solução territorial”, na qual identificavam os judeus com estrelas de David de diferentes cores, dependendo da região, saqueavam todos os seus bens e os isolavam em guetos, áreas urbanas isoladas do resto da população, onde os judeus passavam por condições miseráveis e impensáveis. Estivemos em guetos distintos, como o de Bendzin, Cracóvia, Lublin e Varsóvia, e em cada um desses lugares duros de se visitar, nossos Morei Derech (guias) nos contavam histórias impressionantes de pessoas que moravam lá, com o intuito de dar vida a cada um dos milhões de antepassados nossos que tiveram suas vidas riscadas por uma ideologia de ódio.

Uma história muito tocante é a de Meir Lau. Ele veio de uma família que tinha em todas as gerações algum rabino muito importante. Mas quando ele tinha 2 anos começou a Guerra. Seu pai, então, sabendo que como Chefe comunitário seria deportado a algum campo, mandou seu filho mais velho, Naftali, cuidar de Meir e disse que futuramente ele seria o Rabino de sua geração. Disse também que se os 2 sobrevivessem, deveriam ir a Eretz Israel. Depois de se esconderem por mais de 2 anos, conseguiram sobreviver à Shoá. O tempo passou e, hoje, Rav Lau é o Rabino chefe de Tel Aviv, depois de ter sido Rabino Ashkenazi chefe de Israel por 10 anos.

A próxima fase da trágica história da Shoá foi chamada pelos nazis de “solução final”, mostrando mais uma vez o eufemismo dos alemães ao se tratar da natureza de seus crimes. Essa fase consistia na aniquilação total de todos os judeus do território do Reich e teve início em junho de 1941, com o rompimento do pacto de Riventropp-Molotov (pacto de não-agressão entre a União Soviética e a Alemanha Nazista), por parte dos nazistas. Aprendemos com nossas aulas na Polônia que cada vez mais foi-se sistematizando a tentativa de extermínio judaico, de modo que o modus-operandi de extermínio foi ficando cada vez mais eficaz e barato. De início, se utilizavam câmaras móveis de asfixiamento em caminhões, juntamente com disparos coletivos em fossas comuns. Quanto a parte dos disparos em fossas, materializamos o nosso entendimento ao visitarmos o shteitl de Tiktin e vermos a frutífera vida judia que lá ocorria, sendo que minutos depois visitamos o bosque de Lupochowa, onde quase todos os judeus de Tiktin foram levados para serem assassinados em 26 de agosto de 1941. Os massacres foram se esquematizando até chegarem na “Operação Reinhardt” (meados de 1942), na qual foram criados os campos de Belzec, Sobibor e Treblinka, e lá foram estabelecidas as câmaras de gás, método mais usado para ensinar a Shoá na historiografia de hoje. Quanto a isso, visitamos o esquecido campo de Belzec, que poucos sabem sua história pela infeliz causa de ter somente 2 sobreviventes.

No terceiro dia de Masá, então, conhecemos o complexo de Auschwitz-Birkenau, onde 1,1 milhão de pessoas tiveram suas vidas exterminadas, por más condições de higiene e trabalho, frio, fome, enfermidades, disparos aleatórios por parte dos membros da SS e, por fim, representando a sistematização e totalidade da Shoá, uso extensivo e industrial de câmaras de gás. Além disso, é sumamente importante ressaltar​ a humilhação​ e tentativa de desumanização que os nazistas faziam com os judeus, maiores vítimas do regime nazista, e também a todos os outros grupos afetados por essa barbárie. A palavra “tentativa” é muito importante, porque entendemos que todos os judeus tiveram alguma forma de resistência, mesmo que não de maneira armada. Tocar uma música, criar um teatro escondido, conversar em idish, andar sem chapéu para não ter que tirá-lo frente a um soldado nazi. Ir a uma tnuá. Eram todas formas de resistência e de existência. No fim, os desumanizados foram os próprios nazistas, e não os judeus. Eles não conseguiram.

Não apenas recordamos pessoas que foram perseguidas pelos nazistas mas também os que arriscaram suas vidas para ajudar os que sofriam da perseguição: os justos entre as nações. Em um triângulo sociológico de posições das pessoas durante a Shoá, temos de início o assassino, representado pelo governo nazista e seus adeptos, a vítima, representada por muitos grupos, mas focada nos judeus, e o espectador, o “cidadão comum”. O que aprendemos e podemos levar para a nossa vida em múltiplas situações é que o espectador, se optasse pela indiferença, se tornaria um cúmplice, e se optasse pelo espírito humano e bondade, se tornava um justo. Na primeira noite, tivemos a oportunidade de conversar com uma justa entre as nações. Em seu relato, contou sobre o perigo que passou e os incríveis esforços que fez para salvar a vida de uma pobre criança judia, que veio lhe pedir ajuda numa noite fria.

A masá foi uma experiência única e inesquecível. Com certeza foi uma semana de Memória judaica. E a grande diferença entre história e memória, é que história é conhecer o passado e memória é conhecê-lo pra saber quem somos, quem fomos e quem queremos ser. Só nos perguntando isso podemos tentar combater a indiferença quanto ao que passa ao nosso redor e agir de alguma maneira, na nossa tnuá e na nossa vida.

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